após o pecado
segue o paraíso
numa dose de escombros
que jamais viveremos
o sertão recortado
recita a neve
em palavras sem divisão
o desejo nunca acaba
traga a faca
quero despedaçar a vida
em pequenos monstros
sem pichar o véu
prepare a bandeja
permita a memória sangrar
não deixe-a cair no engano
e florescer mentiras
promessas
ciúmes de guerra
a leitura luta
numa mente partida
para reler os homens socados nessa capital
mudo
acendo a noite
não latiremos em vão
no sono do presidente
a glândula não para
cada mordida
nova coragem
cada livro
nova munição
e no zoológico humano
a paz tropeça
desperta a vocação
para a teta fresca
e a certeza de fera.